Comunidade de Comunidades: uma nova Paróquia!

 
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Dom Pedro Luiz Stringhini
Bispo de Mogi das Cruzes (SP)
(O título acima foi tema central da 51ª assembleia geral ordinária da Conferência Nacional
dos Bispos do Brasil – CNBB, realizada em Aparecida-SP, dos dias 10 a 19 de abril de 2013).
 
As paróquias e as comunidades eclesiais são expressão visível, abrangente e consolidada da presença da Igreja na sociedade. Presentes num território delimitado, as paróquias e suas comunidades são importantes e essenciais instrumentos para a missão evangelizadora da Igreja. A paróquia tem base sólida no código de direito canônico, que lhe dá consistência e respaldo, considerando, dentro da Igreja diocesana, o território onde ela está instalada e constituída, onde seus equipamentos (a igreja matriz, capelas e outros) são edificados e o lugar onde o povo de Deus se congrega.

O Documento de Aparecida, resultado da 5ª Conferência do episcopado latino-americano (realizada em 2007, com abertura feita pelo Papa Bento XVI), fala da necessidade de renovação, revitalização e mesmo transformação das estruturas da Igreja, a começar pela Paróquia. Fala do esforço a ser empreendido para superar uma pastoral de manutenção e da necessidade de uma conversão pastoral.

É nesse contexto de desafios que emerge o fenômeno da migração religiosa, que vem acontecendo de forma intensa há pelo menos duas décadas. Os dois últimos censos (2000 e 2010) oferecem um mapa dessa migração, mostrando a diminuição considerável do número de católicos no Brasil. Em 1990, os católicos somavam cerca de 83% da população brasileira; em 2000, somavam 73,6% dos brasileiros e, em 2010, diminuíram para 64,6%. Tais dados trazem preocupação à Igreja, chamada, hoje, a responder a importantes e novos desafios:

1. O desafio da vida urbana. As paróquias hoje são, geralmente, demograficamente densas, territorialmente grandes, especialmente as localizadas em áreas periféricas das grandes e médias cidades. Daí a necessidade de uma descentralização por meio da existência, em cada paróquia, de outras comunidades eclesiais, além daquela que se reúne na igreja matriz. A expressão “comunidade de comunidades” indica a paróquia em sua presença expandida, formando como que uma rede de comunidades. Onde surge um novo bairro, sem demora, a Paróquia deveria providenciar espaço físico (terreno) para uma nova comunidade.

2. O desafio da identidade. Uma comunidade eclesial será sempre constituída levando em conta as três dimensões fundamentais da vida da Igreja: palavra – liturgia – caridade. A Palavra de Deus chega pelo anúncio do evangelho e pela catequese em todos os níveis, na Igreja. A caridade é o testemunho visível de amor ao próximo, especialmente aos pobres. Tal testemunho dá credibilidade à presença dos cristãos chamados a ser “luz do mundo”. A vida litúrgica e demais aspectos da vida da Igreja têm seu centro na Eucaristia, especialmente a dominical, celebrada no dia do Senhor. Daí a necessidade da presença do sacerdote, a importância de uma eficaz pastoral vocacional e a valorização do ministério ordenado do presbiterato.

3. O protagonismo dos leigos. Cada cristão, isto é, cada batizado, é a presença viva da Igreja no ambiente da sociedade onde ele vive, trabalha, se relaciona. É no mundo e para o mundo que ele dá testemunho público de sua fé e o bom exemplo de pai, mãe, profissional, cidadão… Através do leigo, a Igreja se faz presente nas realidades seculares (presença do mundo no coração da Igreja e presença da Igreja no coração do mundo). Para que isso aconteça, é necessário que o leigo seja valorizado, incentivado, formado e a ele sejam confiados serviços (ministérios), a partir de seus dons (carismas).

Há serviços que os leigos realizam no âmbito interno da Igreja: anúncio da palavra (ministros da palavra), catequese, serviço do altar (ministros extraordinários da sagrada comunhão, salmistas), ministério da coordenação, administração, pastoral dos enfermos, serviço da caridade, isto é, aos pobres, cf. palavras do apóstolo Paulo: nós só nos deveríamos lembrar dos pobres, o que, aliás, tenho procurado fazer com solicitude (Gl 2,10). E a opção preferencial pelos pobres se expande considerando a dimensão profética e transformadora da missão dos leigos, sendo fermento, sal e luz (agente) na construção de uma sociedade justa e solidária.

4. Novas expressões. A Paróquia – com seu pároco, suas comunidades, pastorais e conselhos – deve ser o lugar de acolhida das novas realidades ou novas expressões da vida eclesial, como os movimentos, as novas comunidades, as comunidades de vida, as associações. Deve abrir-se também à possibilidade da existência de comunidades e paróquias ambientais, ou seja, aquelas cuja presença e organização transcendem a territorialidade, uma vez que contará com membros participantes de diversos lugares.

5. Novos métodos. Novo ardor e novas expressões, no dizer do Beato João Paulo II, requerem novos métodos. A conversão pastoral requer abertura a realidades novas e a coragem de inovar e não fazer sempre as mesmas coisas, utilizando-se das mesmas estruturas, muitas vezes ultrapassadas. Supõe também, e antes de tudo, conversão pessoal, mudança de coração e de vida, para, depois, sair de si e ir ao encontro dos irmãos, especialmente os afastados, dando-lhes acolhida, propondo um retorno. Acolher de modo especial os jovens, os pobres, doentes, os “contritos de coração”, (tristes, angustiados, deprimidos, solitários, etc…), oferecendo-lhes amparo.

6. Novo ardor (Família e missão). A Igreja, família dos discípulos de Jesus Cristo, é formada pelas famílias. A pastoral familiar empreende esforço para ajudar os casais e as famílias, buscando respostas a novas situações familiares, como a dos casais em segunda união estável e outras … A Igreja ajudará as famílias a educarem seus filhos na fé, na piedade, na freqüência aos sacramentos, numa conduta exemplar. Do novo ardor cristão nas famílias decorre um novo ardor vocacional e missionário …

7. Anúncio e Catequese. Não se descuide da transmissão da fé (católica), a partir de um processo contínuo de iniciação cristã (catecumenato) e formação catequética e doutrinal em todos os âmbitos e para todas as idades. Serve de inspiração o Sínodo para a “Nova evangelização para a transmissão da fé cristã”, acontecido em outubro de 2012, e que contou com a participação de cerca de 400 pessoas do mundo inteiro e a presença do então Papa Bento XVI.

A perda de fiéis católicos e os inúmeros desafios do mundo urbano deveriam suscitar na Igreja uma nova missionariedade, um novo esforço, um novo entusiasmo evangelizador. Isso vem do próprio mandato do Senhor ressuscitado aos apóstolos: “Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15). E também: “Ide e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei. E eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos” (Mt 28,19-20). E ao prometer e anunciar a vinda do Espírito Santo: “vós sois testemunhas disso” (Lc 24,48).

Fonte: http://www.cnbb.org.br

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Vocação

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Tradicionalmente, celebramos o mês de agosto como mês vocacional.

A cada domingo, dedicamos nossas orações e nossa atenção a uma das vocações: a vocação ao Ministério Sacerdotal, a vocação Laical, a Vocação à Vida Religiosa.

Somos chamados, neste mês a refletirmos sobre esta questão vital para a nossa Igreja: o chamado e a resposta. Inicialmente, há um Deus que chama, que convoca e propõe algo de concreto: dar um sentido à própria existência, uma direção fundamental e única, idêntica para todas as vocações: a santidade como meta última. Deus nos convoca a sairmos do círculo egoísta de projetar a própria vida tendo como ponto de referência a si mesmo.

Fomos criados, e a partir daí, chamados (vocacionados) a orientarmos nossa existência como uma flecha busca seu alvo. Nosso alvo é Deus. Ele e a comunhão plena com Ele é nosso único objetivo final capaz de realizar nossa vida nesta terra. Quem atinge este alvo, quem se deixa atrair poderosamente por esta Meta, por este Alguém, que como poderoso imã nos puxa para si, será feliz, realizará sua vida, dando a ela um sentido plenificante.

Quem errar esta meta, estará destinado à frustração, ao desencanto de não chegar onde deveria chegar. Além disso, o chamado de Deus inclui a concretização no fazer da própria vida um dom, um serviço. Chega-se à Meta definitiva através de um caminho concreto: ou oferecendo a própria existência para ser para os demais a imagem e a presença do Cristo Bom Pastor, através da vocação sacerdotal; ou vivendo a vocação laical, no meio das realidades humanas, quer constituindo através do Sacramento do Matrimônio, uma família fundada no amor humano, elevado por Cristo à dignidade e condição de Sacramento de Salvação, quer vivendo esta vocação laical sem assumir o Sacramento do Matrimônio, dedicando-se a alguma forma de serviço dos demais; ou então assumindo de forma absoluta, a vocação à vida religiosa, sendo sinal da presença de Cristo no meio da Igreja e do mundo, e vivendo a radicalidade dos Conselhos do Evangelho: a obediência , a castidade e a pobreza. Tantos caminhos, tantas possibilidades… Deus, na riqueza de seu amor por nós, nos chama à felicidade plena e nos oferece os meios para que possamos atingi-la.

Aproveitemos bem este mês vocacional. Rezemos e reflitamos bastante sobre o que Deus quer de nós e qual tem sido a qualidade de nossas resposta. E de uma maneira especial, peçamos ao Senhor da messe e Pastor do rebanho que continue a inspirar muitos jovens a serem sensíveis ao Chamado e generosos na Resposta. Vale a pena oferecer a própria vida por Cristo, a serviço de Seu Reino de Amor e de Paz.

 Dom Antonio Carlos Rossi Keller

 Fonte: Canção Nova

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Missa de Envio JMJ2013

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SANTA MISSA PARA A XXVIII JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE

HOMILIA DO SANTO PADRE

Copacabana, Rio de Janeiro
Domingo, 28 de Julho de 2013

 Amados irmãos e irmãs, 

Queridos jovens!

«Ide e fazei discípulos entre todas as nações». Com estas palavras, Jesus se dirige a cada um de vocês, dizendo: «Foi bom participar nesta Jornada Mundial da Juventude, vivenciar a fé junto com jovens vindos dos quatro cantos da terra, mas agora você deve ir e transmitir esta experiência aos demais». Jesus lhe chama a ser um discípulo em missão! Hoje, à luz da Palavra de Deus que acabamos de ouvir, o que nos diz o Senhor? Que nos diz o Senhor? Três palavras: Idesem medopara servir.

1. Ide. Durante estes dias, aqui no Rio, vocês puderam fazer a bela experiência de encontrar Jesus e de encontrá-lo juntos, sentindo a alegria da fé. Mas a experiência deste encontro não pode ficar trancafiada na vida de vocês ou no pequeno grupo da paróquia, do movimento, da comunidade de vocês. Seria como cortar o oxigênio a uma chama que arde. A fé é uma chama que se faz tanto mais viva quanto mais é partilhada, transmitida, para que todos possam conhecer, amar e professar que Jesus Cristo é o Senhor da vida e da história (cf. Rm 10,9).

Mas, atenção! Jesus não disse: se vocês quiserem, se tiverem tempo, vão; mas disse: «Ide e fazei discípulos entre todas as nações». Partilhar a experiência da fé, testemunhar a fé, anunciar o Evangelho é o mandato que o Senhor confia a toda a Igreja, também a você. É uma ordem, sim; mas não nasce da vontade de domínio, da vontade de poder. Nasce da força do amor, do fato que Jesus foi quem veio primeiro para junto de nós e não nos deu somente um pouco de Si, mas se deu por inteiro, Ele deu a sua vida para nos salvar e mostrar o amor e a misericórdia de Deus. Jesus não nos trata como escravos, mas como pessoas livres, como amigos, como irmãos; e não somente nos envia, mas nos acompanha, está sempre junto de nós nesta missão de amor.

Para onde Jesus nos manda? Não há fronteiras, não há limites: envia-nos para todas as pessoas. O Evangelho é para todos, e não apenas para alguns. Não é apenas para aqueles que parecem a nós mais próximos, mais abertos, mais acolhedores. É para todas as pessoas. Não tenham medo de ir e levar Cristo para todos os ambientes, até as periferias existenciais, incluindo quem parece mais distante, mais indiferente. O Senhor procura a todos, quer que todos sintam o calor da sua misericórdia e do seu amor.

De forma especial, queria que este mandato de Cristo -“Ide” – ressoasse em vocês, jovens da Igreja na América Latina, comprometidos com a Missão Continental promovida pelos Bispos. O Brasil, a América Latina, o mundo precisa de Cristo! Paulo exclama: «Ai de mim se eu não pregar o evangelho!» (1Co 9,16). Este Continente recebeu o anúncio do Evangelho, que marcou o seu caminho e produziu muito fruto. Agora este anúncio é confiado também a vocês, para que ressoe com uma força renovada. A Igreja precisa de vocês, do entusiasmo, da criatividade e da alegria que lhes caracterizam! Um grande apóstolo do Brasil, o Bem-aventurado José de Anchieta, partiu em missão quando tinha apenas dezenove anos! Sabem qual é o melhor instrumento para evangelizar os jovens? Outro jovem! Este é o caminho a ser percorrido por vocês!

2. Sem medo. Alguém poderia pensar: «Eu não tenho nenhuma preparação especial, como é que posso ir e anunciar o Evangelho»? Querido amigo, esse seu temor não é muito diferente do sentimento que teve Jeremias – acabamos de ouvi-lo na leitura – quando foi chamado por Deus para ser profeta: «Ah! Senhor Deus, eu não sei falar, sou muito novo». Deus responde a vocês com as mesmas palavras dirigidas a Jeremias: «Não tenhas medo… pois estou contigo para defender-te» (Jr 1,8). Deus está conosco!

«Não tenham medo!» Quando vamos anunciar Cristo, Ele mesmo vai à nossa frente e nos guia. Ao enviar os seus discípulos em missão, Jesus prometeu: «Eu estou com vocês todos os dias» (Mt 28,20). E isto é verdade também para nós! Jesus nunca deixa ninguém sozinho! Sempre nos acompanha.

Além disso, Jesus não disse: «Vai», mas «Ide»: somos enviados em grupo. Queridos jovens, sintam a companhia de toda a Igreja e também a comunhão dos Santos nesta missão. Quando enfrentamos juntos os desafios, então somos fortes, descobrimos recursos que não sabíamos que tínhamos. Jesus não chamou os Apóstolos para que vivessem isolados; chamou-lhes para que formassem um grupo, uma comunidade. Queria dar uma palavra também a vocês, queridos sacerdotes, que concelebram comigo esta Eucaristia: vocês vieram acompanhando os seus jovens, e é uma coisa bela partilhar esta experiência de fé! Certamente isso lhes rejuvenesceu a todos. O jovem contagia-nos com a sua juventude. Mas esta é apenas uma etapa do caminho. Por favor, continuem acompanhando os jovens com generosidade e alegria, ajudem-lhes a se comprometer ativamente na Igreja; que eles nunca se sintam sozinhos! E aqui desejo agradecer cordialmente aos grupos de pastoral juvenil, aos movimentos e novas comunidades que acompanham os jovens na sua experiência de serem Igreja, tão criativos e tão audazes. Sigam em frente e não tenham medo!

3. A última palavra: para servir. No início do salmo proclamado, escutamos estas palavras: «Cantai ao Senhor Deus um canto novo» (Sl 95, 1). Qual é este canto novo? Não são palavras, nem uma melodia, mas é o canto da nossa vida, é deixar que a nossa vida se identifique com a vida de Jesus, é ter os seus sentimentos, os seus pensamentos, as suas ações. E a vida de Jesus é uma vida para os demais, a vida de Jesus é uma vida para os demais. É uma vida de serviço.

São Paulo, na leitura que ouvimos há pouco, dizia: «Eu me tornei escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível» (1 Cor 9, 19). Para anunciar Jesus, Paulo fez-se «escravo de todos». Evangelizar significa testemunhar pessoalmente o amor de Deus, significa superar os nossos egoísmos, significa servir, inclinando-nos para lavar os pés dos nossos irmãos, tal como fez Jesus.

Três palavras: Ide, sem medo, para servir. Ide, sem medo, para servir. Seguindo estas três palavras, vocês experimentarão que quem evangeliza é evangelizado, quem transmite a alegria da fé, recebe mais alegria. Queridos jovens, regressando às suas casas, não tenham medo de ser generosos com Cristo, de testemunhar o seu Evangelho. Na primeira leitura, quando Deus envia o profeta Jeremias, lhe dá o poder de «extirpar e destruir, devastar e derrubar, construir e plantar» (Jr 1,10). E assim é também para vocês. Levar o Evangelho é levar a força de Deus, para extirpar e destruir o mal e a violência; para devastar e derrubar as barreiras do egoísmo, da intolerância e do ódio; para construir um mundo novo. Queridos jovens, Jesus Cristo conta com vocês! A Igreja conta com vocês! O Papa conta com vocês! Que Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, lhes acompanhe sempre com a sua ternura: «Ide e fazei discípulos entre todas as nações». Amém.

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Façam florescer a civilização do amor

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papa Francisco se despediu dos brasileiros no início da noite de hoje (28) pedindo orações por ele e terminou o discurso dizendo “até breve”, em uma confirmação de que pretende voltar ao país em 2017, quando serão celebrados os 300 anos da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida. A imagem da Santa foi encontrada por pescadores em 1717, no Rio Paraíba do Sul.

Em vários trechos de sua fala, Francisco disse que deixava o país com saudades de tudo o que viveu durante sete dias, desde sua chegada para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ). “Dentro de alguns instantes, deixarei sua pátria para regressar a Roma. Parto com a alma cheia de recordações felizes, essas – estou certo – tornar-se-ão oração. Neste momento, já começo a sentir saudades. Saudades do Brasil, deste povo tão grande e de grande coração, deste povo tão amoroso. Saudades do sorriso aberto e sincero que vi em tantas pessoas, saudades do entusiasmo dos voluntários. Saudades da esperança no olhar dos jovens no Hospital São Francisco. Saudades da fé e da alegria em meio à adversidade dos moradores de Varginha.”

O papa destacou a importância dos jovens e pediu que partam pelo mundo como missionários do amor.

Neste clima de gratidão e saudades, penso nos jovens, protagonistas desse grande encontro: Deus lhes abençoe por tão belo testemunho de participação viva, profunda e alegre nestes dias. Muitos de vocês vieram como discípulos nesta peregrinação, não tenho dúvida de que todos agora partem como missionários. A partir do testemunho de alegria e de serviço de vocês, façam florescer a civilização do amor. Mostrem com a vida que vale a pena gastar-se por grandes ideais, valorizar a dignidade de cada ser humano e apostar em Cristo e no seu Evangelho. Foi ele que viemos buscar nestes dias, porque ele nos buscou primeiro, ele nos faz arder o coração para anunciar a Boa Nova nas grandes metrópoles e nos pequenos povoados, no campo e em todos os locais deste nosso vasto mundo. Continuarei a nutrir uma esperança imensa nos jovens do Brasil e do mundo inteiro.”

Francisco terminou sua fala homenageando Nossa Senhora Aparecida, lembrando sua passagem no santuário da padroeira nacional.

O meu pensamento final, minha última expressão das saudades, dirige-se a Nossa Senhora Aparecida. Naquele amado santuário, ajoelhei-me em prece pela humanidade inteira e, de modo especial, por todos os brasileiros. Pedi a Maria que robusteça em vocês a fé cristã, que é parte da nobre alma do Brasil, como também de muitos outros países, tesouro de sua cultura, alento e força para construírem uma nova humanidade na concórdia e na solidariedade. O Papa vai embora e lhes diz até breve, um até breve com saudades, e lhes pede, por favor, que não se esqueçam de rezar por ele. Este Papa precisa da oração de todos vocês. Um abraço para todos. Que Deus lhes abençoe”.

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Vigília de Oração com 3 milhões de jovens

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“Queridos jovens,

Acabamos recordar a história de São Francisco de Assis. Diante do Crucifixo, ele escuta a voz de Jesus que lhe diz: ‘Francisco, vai e repara a minha casa’. E o jovem Francisco responde, com prontidão e generosidade, a esta chamada do Senhor: ‘Repara a minha casa. Mas qual casa?’ Aos poucos, ele percebe que não se tratava fazer de pedreiro para reparar um edifício feito de pedras, mas de dar a sua contribuição para a vida da Igreja; tratava-se de colocar-se ao serviço da Igreja, amando e trabalhando para que transparecesse nela sempre mais a face de Cristo.

Também hoje o Senhor continua precisando dos jovens para a sua Igreja. Queridos jovens, o senhor precisa de vocês. Também hoje ele chama a cada um de vocês para segui-lo na sua Igreja para serem missionários. Queridos jovens, o Senhor hoje nos chama. Não a todos e sim a cada um de vocês, individualmente. Escutem essa palavra nos seus corações. Ele vos fala.

Não estaria o Senhor querendo nos dizer que o verdadeiro campo da fé, não é um ponto geográfico, mas sim nós mesmos?

Acredito que podemos aprender algo com o que aconteceu nos últimos dias. Tivemos que cancelar por mau tempo o evento no Campus Fidei Guaratiba. Não estaria o Senhor querendo nos dizer que o verdadeiro campo da fé, não é um ponto geográfico, mas sim nós mesmos? Sim. É verdade, cada um de nós e de vocês. Eu e vocês todos aqui somos discípulos missionários. O que quer dizer isso? Que nós somos o campo da fé de Deus.

Por isso mesmo, a partir da imagem do campo da fé, pensei em três imagens que podem nos ajudar a entender melhor o que significa ser um discípulo missionário: a primeira imagem é o campo como lugar onde se semeia; a segunda, o campo como lugar de treinamento; e a terceira, o campo como canteiro de obras.

Primeiro. O campo como lugar onde se semeia.

Todos conhecemos a parábola de Jesus sobre um semeador que saiu pelo campo. Algumas sementes caem à beira do caminho, em meio às pedras, no meio de espinhos e não conseguem se desenvolver; mas outras caem em terra boa e dão muito fruto (cf. Mt 13,1-9). O próprio Jesus explicou o sentido da parábola: a semente é a palavra de Deus que é semeada nos nossos corações (cf. Mt 13,18-23).

Hoje, de modo especial, Jesus está semeando. Ao aceitar a palavra de Deus, nos tornamos o campo da fé. Por favor, deixe que a palavra do Senhor entre nas suas vidas. Deixe que entre em seus corações, germine, cresça. Deus faz tudo, mas vocês têm que permitir que Ele trabalhe nesse crescimento. Jesus nos diz que as sementes que caíram à beira do caminho, em meio às pedras e entre espinhos não deram fruto. Acredito que, com muita sinceridade, podemos nos perguntar: ‘Qual terreno somos ou queremos ser?’ Talvez sejamos como o caminho: ouvimos o Senhor porém nos deixamos tumultuar por tantos apelos superficiais? E eu lhes pergunto, agora me respondam silenciosamente: ‘serei eu um jovem atordoado ou como o terreno pedregoso? Acolhemos Jesus com entusiasmo mas somos inconstantes e diante das dificuldades não ter a coragem de ir contra a corrente’. Respondam silenciosamente. ‘Terei eu valor ou serei eu um covarde?’ Ou será que somos como um terreno espinhoso? As palavras negativas sufocam a palavra de Deus? Tenho o costume de jogar dos dois lados, ficar de bem com Deus e com o Diabo? Será que quero receber as sementes de Jesus e de vez em quando regar os espinhos e o que cresce de mau nos meus corações?

Sei que querem ser cristãos autênticos. Não cristãos de nariz empinado

Hoje, entretanto, tenho a certeza que a semente pode cair numa terra boa, como ouvimos nesses testemunhos. Como a semente caiu em boa terra. A pessoa diz que é uma calamidade: ‘não sou boa terra, estou cheia de espinhos, Santo Padre’. Sim, isso pode acontecer. Mas deixe um pedacinho de terra boa, e permitam que ali caia a semente da palavra e verão que ela vai germinar, sim. Eu sei que vocês querem ser terra boa. O cristão quer ser isso, um cristão de verdade, não cristãos de fachada, mas sim autênticos. Sei que querem ser cristãos autênticos. Não cristãos de nariz empinado, pessoas que só parecem cristãos, mas não fazem nada. Tenho a certeza que vocês não querem viver na ilusão de uma liberdade que se deixe arrastar pelas modas e as conveniências do momento.

Sei que vocês apostam em algo grande, em escolhas definitivas que deem pleno sentido para a vida. É assim ou estou errado? Se é assim, façamos o seguinte. Todos em silêncio, olhando para dentro, para seus corações, e cada um fale com Jesus que quer receber a semente. Olhe Jesus. ‘Jesus, tenho pedras, tenho espinhos, mas tenho esse cantinho de boa terra. Semeie aqui’. E em silêncio, permitem que Jesus plantem sua semente em boa terra. Lembrem-se desse momento. Cada um sabe o nome da semente que foi plantada agora. Deixem que frutifique. Deus vai cuidar dela.

Segundo. O campo como lugar de treinamento.

Além de ser um lugar de semeadura, o campo é um lugar de treinamento. Jesus nos pede que nós o sigamos por toda a vida, pede que sejamos seus discípulos, que ‘joguemos no seu time’. Acho que a maioria de vocês ama os esportes. E aqui no Brasil, como em outros países, o futebol é uma paixão nacional. Sim ou não? Pois bem, o que faz um jogador quando é convocado para jogar em um time? Deve treinar, e muito! Também é assim na nossa vida de discípulos do Senhor. São Paulo diz aos cristãos: ‘Todo atleta se privam de tudo. Eles assim procedem, para conseguirem uma coroa corruptível. Quanto a nós, buscamos uma coroa incorruptível!’ (1Co 9, 25). Jesus nos oferece algo muito superior que a Copa do Mundo! Algo maior que a Copa do Mundo!

Jesus nos oferece algo muito superior que a Copa do Mundo!

Oferece-nos a possibilidade de uma vida fecunda e feliz. E nos oferece também um futuro com Ele que não terá fim: a vida eterna. É o que Jesus oferece. Mas ele pede que paguemos a ingresso. Jesus pede que treinemos para estar ‘em forma’, para enfrentar, sem medo, todas as situações da vida, dando testemunhos de fé. Como? Através do diálogo com Ele: a oração, que é um diálogo diário com Deus que sempre nos escuta.

Agora vou perguntar. ‘Eu rezo? Eu falo com Jesus ou tenho medo do silêncio?’ Deixe que o Espírito Santo fale aos seus corações. ‘Será que faço isso?’ Pergunte a Jesus: ‘O que quer que eu faça? O que quer da minha vida?’ Isso é treinar. Conversem com Jesus. E se cometerem um erro, um deslize, não temam. ‘Jesus, olha o que eu fiz, o que faço agora?’ Mas sempre fale com Jesus, nos bons e maus momentos, não tema. Essa é a oração. Assim vai se treinando o diálogo com Jesus. E também através dos sacramentos, que fazem crescer em nós o amor de Jesus, através do amor fraterno, do saber ouvir, perdoar, do compreender, do perdoar, do acolher, do ajudar os demais, qualquer pessoa sem excluir nem marginalizar ninguém. Esses são os treinamentos para se seguir Jesus: a oração, os sacramentos e o serviço ao próximo. Vamos repetir: oração, sacramentos e ajuda aos demais (público repete).

Terceiro. O campo como canteiro de obras.

Como vemos aqui, como tudo isso foi construído. Os jovens caminharam e construíram juntos a Igreja. Quando o nosso coração é uma terra boa que acolhe a palavra de Deus, quando se ‘sua a camisa’ procurando viver como cristãos, nós experimentamos algo maravilhoso: nunca estamos sozinhos, fazemos parte de uma família de irmãos que percorrem o mesmo caminho; somos parte da Igreja, mais ainda, tornamo-nos construtores da Igreja e protagonistas da história, em conjunto. Fizeram assim como São Francisco: construir e reparar a Igreja.

Eu pergunto, então: Querem construir a Igreja? Estão animados? E amanhã, será que vão se esquecer que hoje disseram ‘sim’? (público responde ‘não’). Ah, assim estou gostando. Todos somos parte da Igreja. Mais do que isso, nos transformamos em construtores da Igreja e protagonistas da História. Jovens, por favor, sejam protagonistas, não fiquem na fila da História, não fiquem para trás. Vão lutando, construindo um mundo de paz, solidariedade, amor. Joguem sempre na linha de frente, no ataque!

São Pedro nos diz que somos pedras vivas que formam um edifício espiritual (cf. 1Pe 2,5). E, olhando para este palco, vemos que ele tem a forma de uma igreja, construída com pedras, com tijolos. Na Igreja de Jesus, nós somos as pedras vivas, e Jesus nos pede que construamos a sua Igreja; cada um de nós somos uma pedrinha da construção. Se faltar essa pedrinha, quando chover, vai se formar uma goteira e a casa vai alagar. Cada um desse pedacinho deve cuidar da segurança e da unidade da Igreja. E vai construir uma capelinha, onde cabe somente um grupinho de pessoas? Não, Jesus nos pede que a sua Igreja viva seja tão grande que possa acolher toda a humanidade, que seja casa para todos! Ele diz a mim, a você, a cada um: ‘Ide e fazei discípulos entre todas as nações’! Nesta noite, respondamos-lhe: ‘sim, também eu quero ser uma pedra viva; juntos queremos edificar a Igreja de Jesus!’

Peço que vocês também sejam protagonistas, superando a apatia e oferecendo uma resposta cristã às inquietações sociais políticas que se colocam em diversas questões do mundo.

Eu quero ir e ser construtor da Igreja de Cristo! Repitam isso. Agora é com vocês. ‘Eu quero ir e ser construtor da Igreja de Cristo’. Quero que pensem nisso, vocês disseram isso juntos, afinal. No coração jovem de vocês, existe o desejo de construir um mundo melhor. Acompanhei atentamente as notícias e vejo muitos jovens que, em tantas partes do mundo, saíram pelas ruas para expressar o desejo de uma civilização mais justa e fraterna. Os jovens nas ruas querem ser protagonistas da mudança. Por favor, não deixam que outros sejam protagonistas, sejam vocês. Vocês têm o futuro nas mãos. Por vocês, é que o futuro chegará. Peço que vocês também sejam protagonistas, superando a apatia e oferecendo uma resposta cristã às inquietações sociais políticas que se colocam em diversas questões do mundo. Peço que sejam construtores do mundo. Envolvam-se num mundo melhor. Por favor, jovens, não sejam covardes, metam-se, saiam para a vida. Jesus não ficou preso dentro de um casulo. Saiam do casulo. Saiam às ruas como fez Jesus.

Mas, fica a pergunta: por onde começar? A quem vamos pedir que se comece isso ou aquilo? Um dia perguntaram a Madre Teresa de Calcutá o que deveria mudar na Igreja, por onde começaria a mudar, ela respondeu: você e eu! Ela tinha muita garra e sabia por onde começar. Hoje, peço então a Madre Teresa e repito as palavras dela: começamos por mim e por você. Por favor, cada um, faça essa mesma pergunta: ‘se tenho que começar por mim mesmo, por onde devo começar?’ Abram seus corações para que Jesus possa falar por onde devem começar.

Vocês são o campo da fé! Vocês são os atletas de Cristo!

Queridos amigos, não se esqueçam: vocês são o campo da fé! Vocês são os atletas de Cristo! Vocês são os construtores de uma Igreja mais bela e de um mundo melhor. Elevemos o olhar para Nossa Senhora. Ela nos ajuda a seguir Jesus, nos dá o exemplo com o seu ‘sim’ a Deus: ‘Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua Palavra’ (Lc 1,38). Também nós o dizemos a Deus, juntos com Maria: faça-se em mim segundo a Tua palavra. Assim seja!”

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4º Discurso do Papa Francisco no Brasil JMJ Rio2013 – Visita na Comunidade de varginha

papaRIO DE JANEIRO – 25.07.2013 – 11:00

Queridos irmãos e irmãs,

      Que bom poder estar com vocês aqui! Desde o início, quando planejava a minha visita ao Brasil, o meu desejo era poder visitar todos os bairros deste País. Queria bater em cada porta, dizer “bom dia”, pedir um copo de água fresca, beber um “cafezinho”, falar como a amigos de casa, ouvir o coração de cada um, dos pais, dos filhos, dos avós… Mas o Brasil é tão grande! Não é possível bater em todas as portas! Então escolhi vir aqui, visitar a Comunidade de vocês que hoje representa todos os bairros do Brasil. Como é bom ser bem acolhido, com amor, generosidade, alegria! Basta ver como vocês decoraram as ruas da Comunidade; isso é também um sinal do carinho que nasce do coração de vocês, do coração dos brasileiros, que está em festa! Muito obrigado a cada um de vocês pela linda acolhida! Agradeço a Dom Orani Tempesta e ao casal Rangler e Joana pelas suas belas palavras.

 1.     Desde o primeiro instante em que toquei as terras brasileiras e também aqui junto de vocês, me sinto acolhido. E é importante saber acolher; é algo mais bonito que qualquer enfeite ou decoração. Isso é assim porque quando somos generosos acolhendo uma pessoa e partilhamos algo com ela – um pouco de comida, um lugar na nossa casa, o nosso tempo -não ficamos mais pobres, mas enriquecemos. Sei bem que quando alguém que precisa comer bate na sua porta, vocês sempre dão um jeito de compartilhar a comida: como diz o ditado, sempre se pode “colocar mais água no feijão”! E vocês fazem isto com amor, mostrando que a verdadeira riqueza não está nas coisas, mas no coração!

        E povo brasileiro, sobretudo as pessoas mais simples, pode dar para o mundo uma grande lição de solidariedade,que é uma palavra frequentemente esquecida ou silenciada, porque é incômoda. Queria lançar um apelo a todos os quepossuem mais recursos, às autoridades públicas e a todas as pessoas de boa vontade comprometidas com a justiça social:Não se cansem de trabalhar por um mundo mais justo e mais solidário! Ninguém pode permanecer insensível àsdesigualdades que ainda existem no mundo! Cada um, na medida das próprias possibilidades e responsabilidades, saibadar a sua contribuição para acabar com tantas injustiças sociais! Não é a cultura do egoísmo, do individualismo, quefrequentemente regula a nossa sociedade, aquela que constrói e conduz a um mundo mais habitável, mas sim a cultura dasolidariedade; ver no outro não um concorrente ou um número, mas um irmão.

        Quero encorajar os esforços que a sociedade brasileira tem feito para integrar todas as partes do seu corpo,incluindo as mais sofridas e necessitadas, através do combate à fome e à miséria. Nenhum esforço de “pacificação” será duradouro, não haverá harmonia e felicidade para uma sociedade que ignora, que deixa à margem, que abandona na periferia parte de si mesma. Uma sociedade assim simplesmente empobrece a si mesma; antes, perde algo de essencial para si mesma. Lembremo-nos sempre: somente quando se é capaz de compartilhar é que se enriquece de verdade; tudo aquilo que se compartilha se multiplica! A medida da grandeza de uma sociedade é dada pelo modo como esta trata os mais necessitados, quem não tem outra coisa senão a sua pobreza!

2.       Queria dizer-lhes também que a Igreja, «advogada da justiça e defensora dos pobres diante das intoleráveis desigualdades sociais e econômicas, que clamam ao céu» (Documento de Aparecida, 395), deseja oferecer a sua colaboração em todas as iniciativas que signifiquem um autêntico desenvolvimento do homem todo e de todo o homem. Queridos amigos,certamente é necessário dar o pão a quem tem fome; é um ato de justiça. Mas existe também uma fome mais profunda, a fome de uma felicidade que só Deus pode saciar. Não existe verdadeira promoção do bem-comum, nem verdadeiro desenvolvimento do homem, quando se ignoram os pilares fundamentais que sustentam uma nação, os seus bens imateriais:a vida, que é dom de Deus, um valor que deve ser sempre tutelado e promovido; a família, fundamento da convivência e remédio contra a desagregação social; a educação integral, que não se reduz a uma simples transmissão de informações com o fim de gerar lucro; a saúde, que deve buscar o bem-estar integral da pessoa, incluindo a dimensão espiritual, que é essencial para o equilíbrio humano e uma convivência saudável; a segurança, na convicção de que a violência só pode ser vencida a partir da mudança do coração humano.

 3.      Queria dizer uma última coisa. Aqui, como em todo o Brasil, há muitos jovens. Vocês, queridos jovens, possuem uma sensibilidade especial frente às injustiças, mas muitas vezes se desiludem com notícias que falam de corrupção, com pessoas que, em vez de buscar o bem comum, procuram o seu próprio benefício. Também para vocês e para todas as pessoas repito: nunca desanimem, não percam a confiança, não deixem que se apague a esperança. A realidade pode mudar, o homem pode mudar. Procurem ser vocês os primeiros a praticar o bem, a não se acostumarem ao mal, mas a vencê-lo. A Igreja está ao lado de vocês, trazendo-lhes o bem precioso da fé, de Jesus Cristo, que veio «para que todos tenham vida, e vida em abundância» (Jo 10,10).

        Hoje a todos vocês, especialmente aos moradores dessa Comunidade de Varginha, quero dizer: Vocês não estão sozinhos, a Igreja está com vocês, o Papa está com vocês. Levo a cada um no meu coração e faço minhas as intenções que vocês carregam no seu íntimo: os agradecimentos pelas alegrias, os pedidos de ajuda nas dificuldades, o desejo de consolação nos momentos de tristeza e sofrimento. Tudo isso confio à intercessão de Nossa Senhora Aparecida, Mãe de todos os pobres do Brasil, e com grande carinho lhes concedo a minha Bênção.

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Segundo milagre por intercessão do Beato João Paulo II

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O relato de Floribeth Mora, de 50 anos, foi curada inexplicavelmente de umderrame cerebral

João Paulo II será declarado santo graças a um milagre vivenciado por uma mulher da Costa Rica, registrado poucas horas antes da proclamação de Wojtyla como beato, no dia 1 de maio de 2011.

O primeiro milagre de João Paulo II foi o da freira francesa Marie Simon-Pierre, que alegou ter sido repentinamente curada de mal de Parkinson dois meses após a morte do Pontífice.

 O Papa Francisco aprovou no dia 5 de julho a promulgação de um decreto que reconhece como um fenômeno cientificamente inexplicável, atribuído à intercessão de João Paulo II, a cura de um derrame cerebral de Floribeth Mora, de 50 anos.

 Em uma entrevista à rede mexicana Televisa, Floribeth, mãe de quatro filhos, avó de quatro netos e esposa de um ex-oficial da Força Pública da Costa Rica, recorda que no dia 8 de abril de 2011 despertou com uma forte dor de cabeça e vômito.

 Os sintomas duraram vários dias, até que, depois de internada, os médicos diagnosticaram um derrame cerebral e disseram que não poderiam fazer mais nada por ela, pois o local do cérebro onde se deveria fechar a artéria era inacessível.

 Edwin Arce, o marido de Floribeth, e a enfermeira encomendaram à intercessão de João Paulo II para pedir o milagre de uma cura médica impossível.

 Quando Edwin saiu do hospital, ele se sentou no chão e começou a chorar. “Eu dizia: meu Deus, me ajude!João Pablo II! Não me deixem sozinho, não me deixem sozinho, me ajudem!”.

 Ele acrescenta: “recordo como se fosse agorinha, quando ouvi uma voz que me dizia: “não tenhas medo, levanta-te, levanta-te; duas vezes me foi repetido”.

 Eles retornaram a casa. Floribeth era mantida sedada. No dia da beatificação de João Paulo II, 1 de maio de 2011, a enfermeira decidiu ficar em vigília para ver a cerimônia. Toda sua família foi ao estádio, onde se transmitia por satélite a cerimônia que era realizada em Roma.

 Na manhã seguinte Floribeth acordou. Olhou uma revista em que na capa estava João Paulo II.

 Levantei-me da cama, fui à cozinha onde estava o meu esposo e lhe disse: ‘me sinto bem’”, relata.

 O neurocirurgião Alejandro Vargas Román foi quem atendeu Floribeth e tinha constado o aneurisma. Depois ele mesmo confirmou o desaparecimento do aneurisma, sem explicação médica.

 Meses depois, Floribeth decidiu escrever o seu testemunho. Enviou-o ao site da Causa de Canonização deJoão Paulo II.

 O postulador, monsenhor Slawomir Oder, apresentou o milagre à Congregação para as Causas dos Santos, onde em fevereiro de 2013 a documentação foi aprovada pela Comissão Médica.

 milagre em seguida foi aprovado pela Comissão de Teólogos e pela Comissão de Cardeais e Bispos.

 Agora Floribeth espera saber qual será a data da canonização de João Paulo II, para participar junto aos mais de 1 milhão de peregrinos que são esperados para o evento.

 

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